Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares juntam-se, pela primeira vez, numa criação para estudar, reproduzir e reinventar formas artísticas resultantes de sistemas em colapso e, com isso, criar uma coleção de performances baseada na relação histórica entre a crise e a emergência de diferentes vanguardas artísticas. "Morrer Pelos Passarinhos” visa encontrar formas de partilhar significativamente com o público o fim de um mundo conforme o fomos conhecendo e a possibilidade de um luto coletivo que nos possa confrontar com o não-sentido, com o vazio, com o medo, com a desumanização, mas principalmente, uns com os outros.
Vários movimentos da vanguarda artística surgiram após momentos traumáticos da história, momentos em que a humanidade mostrou novos alcances para a sua capacidade autodestrutiva - as Grandes Guerras que se sucederam ou a Guerra Fria com a sua ameaça atómica. Hoje, anos 20 do século XXI, vivemos mais uma vez perante o “fim do mundo”. O projeto busca, assim, inspiração nos movimentos artísticos históricos que surgiram em resposta a períodos de crise, como o Dadaísmo, a dança expressionista e o teatro do absurdo, para enfrentar os desafios atuais, como a crise ambiental e o sentimento de impotência diante de sistemas globais complexos.
Este projeto está a ser desenvolvido desde Outubro de 2023 e vai-se construindo residência a residência, numa imersão no contexto local. Uma das características distintivas de “Morrer Pelos Passarinhos” é o seu foco na participação ativa do público. Por outro lado, envolvendo diretamente participantes locais nas performances, o projeto não apenas democratiza o processo criativo, mas também fortalece a relação entre os artistas e a comunidade, permitindo que todos contribuam para a sua narrativa. “Morrer Pelos Passarinhos” funciona como um espólio de performances prontas a ativar e a adequar aos espaços e contextos de circulação aproveitando as suas diferentes características.